Montar times de alta performance pode ser um dos principais fatores de sucesso em um projeto, mas é preciso que todos entendam seu papel e como suas atividades estão ligadas à governança dentro do time e também em toda empresa.
Nesse artigo vamos entender como cada um dentro do time deve se comportar de forma ágil, focada em entregar os resultados de maneira auto organizada e com uma governança que possibilite todos os envolvidos saberem das atividades, entregas e do projeto como um todo.
Aproveite a leitura para refletir como um time auto-organizado e com uma governança enxuta podem trabalhar em sincronia com as expectativas da própria empresa e também dos clientes.
Desejo uma ótima leitura e ótimas reflexões sobre esse importante assunto, tanto para as pessoas quanto para toda uma organização.
Os papéis nos times
Tendo como base o framework Scrum que orienta a construção de times com os papéis de Scrum Master, Product Owner e os Desenvolvedores, iniciaremos nossa análise com as principais responsabilidades de cada um, de maneira resumida.
Ao longo desse artigo uma análise detalhada será realizada para entendermos como eles, individualmente e coletivamente, devem trabalhar em sincronia com a governança dentro das organizações
O Scrum Master

- Exercer uma liderança servidora
- Servir ao time, Product Owner e toda a empresa
Product Owner

- Ser a voz do cliente e traduzir para o time
- Priorizar o trabalho a ser feito
Desenvolvedores

- Desenvolver o produto
- Entregar em ciclos curtos
Esse tripé atuará em conjunto, com o Scrum Master garantindo a adesão às boas práticas, o Product Owner entendendo o cliente, priorizando as entregas e o time desenvolvendo o produto.
Dentro desse cenário cada um terá um papel importante de garantir a governança sob as atividades que estiverem envolvidos, mas o principal desafio é manter a conexão entre todos do time e como conectar com a governança corporativa.
Governança do Product Owner
O Product Owner irá trabalhar para entender as necessidades do cliente e traduzir para que o time consiga desenvolver de forma priorizada.
Podemos perceber na ilustração que o backlog do produto possui seis itens em ordem numérica, mas que apenas os itens dois e quatro foram priorizados para serem inseridos no backlog da sprint.
Essa priorização se deve ao fato que, de acordo com o alinhamento com o cliente, viabilização técnica e de capacidade do time, o Product Owner reordenou a ordem das entregas.
Os aspectos ligados ao alinhamento com o cliente levam em consideração o valor que será gerado nessa sprint. O item quatro, em nosso exemplo, gera mais valor do que o três.
A viabilização técnica deve avaliar se essa reordenação é possível. Para uma reflexão sobre esse ponto, uma casa não pode ter o seu telhado sem antes ter suas bases concluídas.
O time deve ser envolvido para avaliação da capacidade de entrega, pois serão essas pessoas que realizarão o trabalho, transformando em atividades.
Como parte da governança do Product Owner, está a geração de evidências e comprovações do desenvolvimento da solução.
A comprovação das entregas deve ser evidenciada, tanto dos incrementos quanto do produto total.
O cliente precisa de algo funcional que comprove o que foi desenvolvido.
Além das comprovações, o Product Owner deve observar a sprint em andamento, mas manter um olhar em horizontes futuros.
Percebam que os itens dois e três do backlog do produto já estão em desenvolvimento, mas o Product Owner precisa olhar para sprints que estão por vir, visando sua priorização.
Essas análises e priorizações devem estar intimamente conectadas com a governança do time e consequente com a governança corporativa. O controle de qual versão, qual entrega em andamento, quais as próximas, dentre outros, devem estar sob o olhar do Product Owner.
Governança do Scrum Master
Ser Scrum Master é exercer uma liderança servidora, mas necessita de gestão, governança.
O Scrum Master, pode atuar junto ao time, o Product Owner e as pessoas que estiverem envolvidas no projeto, exercerá um papel que necessitará de muitas habilidades não técnicas.
Paralelo a isso, uma governança precisa ser realizada para garantir a visibilidade das informações, saúde do projeto e alinhamento com todo o time.
Exercer esse papel de líder, sem ser impositivo, mas ao mesmo tempo mantendo uma boa comunicação com todos é primordial para uma boa governança.
Alguns mitos, confusões e visões diferentes podem existir nesse momento. Vamos analisar algumas delas.
Uso de ferramentas
Não há proibições no uso de ferramentas, seja de cronograma ou outras para auxiliá-lo na gestão, desde que a ferramenta se torne o problema.
O Scrum Master precisará, muitas vezes, gerar relatórios de acompanhamento, documentar algumas informações sobre impedimentos para manter as pessoas informadas. Uma governança enxuta deve permitir liberdade ao time, mas com um nível adequado de gestão.
O balanceamento de qual informação é realmente necessária e qual não faz sentido pode ser a saída. Não há receita de bolo pronta. Cada projeto, ou mesmo empresa precisa se adaptar para descobrir qual o nível de informação é o mais adequado.
Ser ágil não pode ser sinônimo de falta de documentação, nem de excesso.
Outra missão importante relacionada à governança está ligada aos aspectos comportamentais do time. Ser líder requer entender de pessoas para manter um ambiente favorável à agilidade e inovação e bom relacionamento.
Deixar as pessoas trabalharem com senso de auto-organização é fundamental, mas um nível aceitável e compatível com cada cenário para manter uma governança é preciso. O Scrum Master pode e provavelmente contribuirá muito para que isso aconteça.
Governança dos Desenvolvedores
Como já citado em outros artigos que compartilhamos com vocês, os Desenvolvedores são as pessoas que irão criar os produtos, serviços ou resultados, independentemente da área de atuação. Esses serviços podem ser um mapeamento de processo, um treinamento, projeto de inovação, software ou qualquer outro.
O time terá uma participação extremamente importante para auxiliar o Product Owner e o Scrum Master a manterem uma boa governança que não atrapalhe o desenvolvimento.
Quais informações precisam ser registradas, onde serão recuperadas, qual a versão atual do dado, o que está sendo feito, o que está pronto? Essas são algumas perguntas que o time pode ajudar a responder.
Manter o senso de auto-organização individual e coletivo ajudam o time a evoluir constantemente. O aumento da maturidade não vem da noite para o dia. É uma busca constante.
Trabalhar de forma colaborativa, desenvolvendo e entendendo as habilidades de cada um dentro do time proporciona um ambiente de co-criação com mais colaboração, além de proporcionar e aumentar a confiança.
Assim como o Scrum Master e o Product Owner, o time precisa entender como conciliar um comportamento orientado à Estratégia, Agilidade e Inovação, sem deixar de lado a governança.
Papel de todos nos times
Esse ambiente de Estratégia, Agilidade e Inovação depende que todos contribuam para uma melhoria contínua.
Todos devem contribuir, em todos os níveis hierárquicos, para uma cultura voltada para Estratégia, Agilidade e Inovação.
Análise final
Vimos nesse artigo a importância de se ter um comportamento orientado à entregas, auto-organização, mas não podendo deixar de lado uma governança ágil e enxuta.
Podemos perceber que cada um tem o seu papel, e que juntos, todos podem criar um ambiente com liberdade para criação, gerando um processo que pode e provavelmente contribuirá para o crescimento de toda a organização.
Por enquanto ficamos por aqui. Um abraço e até a próxima!
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Sócio-diretor na Mundo de Projetos e co-founder na Meliva
Professor de pós-graduação em agilidade e projetos.