Muitas vezes as pessoas são levadas a acreditar que para inovar é obrigatoriamente necessário investir em tecnologias caras e futuristas.
É possível criar inovação a partir de tecnologias existentes e baratas, ou até mesmo sem custo financeiro algum.
Investir em tecnologia nem sempre é sinônimo de inovação. As dores reais dos clientes reais podem ser sanadas com comodities (tecnologias existentes e baratas), de maneira que se possa testar se o produto realmente tem fit com o mercado.
Vamos entender nesse artigo como criar produtos e serviços inovadores utilizando o que já temos disponível.
Tecnologia e Informatização
Desde os primórdios da humanidade as tecnologias são utilizadas para as mais diversas necessidades. Fazer fogo é uma delas.
Percebam que o simples fato de gerar atrito entre dois pedaços de madeira para fazer fogo é uma tecnologia totalmente disponível na natureza sem ter nenhum aparato de informática envolvido para gerar o resultado esperado.
Ao se falar de técnicas, devemos pensar que nem sempre precisaremos de um computador, ligado ou não à internet para que possamos testar uma ideia e validar se ela resolve ou não o problema do cliente.

A jornada para descobrir qual a real dor e qual o analgésico deve ser gerado é um processo que pode acontecer sem o desenvolvimento qualquer código de programas de computadores. A tecnologia é meio e não o fim nessa caminhada.
Seguindo com o raciocínio de inovar com o que temos disponível, esse texto que está sendo lido poderia ter sido elaborado utilizando lápis, caneta e papel. Posteriormente seria enviado para todas as pessoas que precisassem ter acesso ao conteúdo. Logicamente será mais trabalhoso, mas o resultado seria o mesmo.

Nessa linha de raciocínio devemos pensar no job to be done “trabalho a ser feito” pelo usuário final. No exemplo seria: o usuário ter acesso ao conteúdo escrito.

A informatização veio para facilitar, mas não podemos pensar que sem ela não conseguimos sair da inércia e começar algo utilizando meios disponíveis, baratos para testarmos.
Tecnologia não é sinônimo de informatização. Essa é a mensagem que devemos ter nesse capítulo.
Comodities Tecnológicos
Ao entrarmos em qualquer site de buscas na internet e clicar no botão pesquisar, milhões de informações nos são trazidas para que possamos escolher aquela que mais se adequa a nossa necessidade.
Experimente entrar em um site de buscas e digitar “como criar um site grátis”. Provavelmente será uma lista com alguns locais onde a pessoa possa criar um site gratuitamente para postar suas informações.
Uma pessoa portando um computado com acesso à internet é algo totalmente comum. Com esses recursos mínimos ela consegue criar uma planilha online, um formulário e solicitar que milhares de pessoas respondam algumas questões para descobrir determinados comportamentos.
Diversos são os aplicativos de mensagens instantâneas que podem ser utilizados para criar grupos, fazer testes para verificar se as pessoas estão dispostas a colaborar, como elas se comportam em grupo, quais gostam mais de áudio, vídeo, texto e muitas outras validações.
Notem que essas tecnologias estão disponíveis no mercado e inúmeras são as opções para que possamos criar um produto a baixo custo ou mesmo a custo zero no primeiro momento, até validarmos uma ideia.
A grande reflexão que devemos ter é: será que precisamos de uma ou mais, dessas tecnologias informatizadas para criar e testar uma ideia?
Experimentação
Talvez o grande segredo de se criar um produto inovador é fazer com que o cliente passe pela experiência sem que este produto esteja pronto. Parece impossível pensar dessa forma, mas é totalmente possível.

A experimentação fará com que se consiga validar se o que está para ser criado realmente é o que ele fará quando estiver totalmente pronto. Vejamos um exemplo:
Você está lendo este artigo. E se você soubesse que ele foi escrito sem o autor colocar a mão no teclado, usando apenas a voz? Infelizmente a resposta não será divulgada, mas isso não impediu que você tivesse acesso ao conteúdo, passando pela jornada.
Nesse caso houve uma validação de que o usuário está interessado na leitura. De agora em diante é válido pensar em investir horas para escrever mais outros milhares de artigos e disponibilizar para consumo.
Esse foi um simples exemplo, mas podemos nos orientar a produtos que já são utilizados e que passaram por testes simples antes de se investir no desenvolvimento de softwares e inteligências.
Vejamos um cenário mais prático para ilustrar a experimentação.
Uma pessoa abre o celular, instala um aplicativo e chama um automóvel para levá-la do ponto A ao ponto B. Hoje é simples pensarmos que essa solução já está validada, mas antes desse aplicativo ser desenvolvido, foi necessário testar se o usuário estava disposto a passar por essa jornada.
Vamos recriar essa solução utilizando tecnologias comodities, imaginando que ainda não há esse produto disponível no mercado.
- Passo 1 – uma pessoa cria um aplicativo que coleta os dados do cliente, como nome, telefone, onde ele está e onde ele deseja ir. Sem nenhuma inteligência.
- Passo 2 – o cliente informa os dados e eles são enviados para uma planilha online.
- Passo 3 – a pessoa que está com acesso à planilha olha os dados, liga para um automóvel que faz esse trabalho e passas as informações.
- Passo 4 – O motorista aceita a corrida e vai até o local informado, pegando o cliente e levando do Ponto A ao ponto B.
- Passo 5 – O cliente paga para o motorista e encerra o processo.
Para o cliente toda essa jornada por trás fica invisível, mas para quem está testando a ideia fica uma valiosa informação: Existe mercado para esse modelo de negócio. Agora vale à pena investir no desenvolvimento de um aplicativo e aumentar a inteligência.

É muito importante validar uma solução antes de investir dinheiro para criar um software, aplicativo ou coisas do gênero. Essa validação pode, e deve ser, a um custo baixo ou zero, evitando desperdícios de tempo, dinheiro, pessoas e minimizando as frustações.
Conclusão
Percebemos que para inovar não é necessariamente obrigatório investir em tecnologias de ponta para testar uma ideia. Vimos também que tecnologia não é significado de informatização.
Uma importante conclusão que podemos tirar desse conteúdo é a de que a inovação pode começar com tecnologias totalmente disponíveis no mercado, a custos muito baixos e muitas vezes até zerados.
O mais importante é entender a jornada do cliente e criar uma solução que permita que ele passe por ela sem ter que investir muito. O objetivo é saber se a solução resolve o problema e se tem cliente.
Antes de pensar na tecnologia, quais softwares irá utilizar ou quais aplicativos irá desenvolver, devemos pensar: qual é a real dor, como validar e descobrir se vale ou não à pena investir tempo e dinheiro neste produto?
Faça suas reflexões e caso tenha alguma ideia, compartilhe com mais pessoas para que juntos possam desenvolver produtos inovadores com tecnologias existentes e disponíveis.

Sócio-diretor na Mundo de Projetos e co-founder na Meliva
Professor de pós-graduação em agilidade e projetos.
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